sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Invento de Nikola Tesla pode salvar mineiros presos



Redação do Site Inovação Tecnológica - 03/09/2010
Invento de Nikola Tesla pode salvar mineiros presos
Mineiros presos em minas podem usar esse gerador e receptor de ondas magnéticas para se comunicar com a superfície no caso de acidentes.[Imagem: Diana Gerrish/Lockheed Martin Corp.]
Enquanto o mundo acompanha com apreensão a longa operação de resgate dos mineiros presos em uma mina de cobre e ouro no Chile, um engenheiro aposentado dos Estados Unidos redescobriu uma técnica que poderá minimizar o impacto de incidentes como esse no futuro, agilizando a chegada do socorro.
Gerador de ondas magnéticas
O engenheiro Gary Smith foi o inspirador da redescoberta de um conceito desenvolvido por Nikola Tesla há mais de um século.
O pioneiro da eletricidade e das radiotransmissões já havia previsto que um gerador de ondas magnéticas pode ser usado para fazer transmissões sem fios.
O "rádio magnético" é basicamente um eletroímã, que pode ser alimentado por corrente alternada comum ou mesmo pela corrente contínua de baterias, tornando-o útil em situações de emergência.
Quando a eletricidade passa por um fio, devidamente enrolado em torno de um núcleo metálico, cria-se um campo magnético de baixa intensidade que pode alcançar centenas de metros. Da mesma forma que as ondas de rádio, esse campo magnético pode ser modulado para transmitir informações.
Contudo, ao contrário dos rádios, dos telefones celulares e dos telefones via satélite, cujas ondas não conseguem atravessar rochas, argila ou outros materiais que conduzem eletricidade, o sinal magnético atravessa facilmente as rochas mais densas.
Rádio magnético
Tesla experimentou esse conceito de comunicação por ondas magnéticas nos anos 1890, acreditando que ele fosse uma alternativa ao telégrafo de Marconi. Mas o alcance muito curto das transmissões, assim como a alta incidência de ruídos, desfez seus planos.
Mas o alcance não é um problema na maioria das situações de emergência envolvendo acidentes em minas, afirma David LeVan, da empresa Lockheed Martin, que desenvolveu o conceito inspirado por Gary.
O dispositivo de comunicação por ondas magnéticas, batizado de MagneLink (Magnetic Communication System), tem o tamanho de uma geladeira, e se mostrou capaz de oferecer comunicações seguras através de 500 metros de rocha sólida. Isto, segundo os engenheiros, atende a mais de 85% dos acidentes em minas subterrâneas.
Usando as tecnologias mais modernas de processamento de sinais, usadas nos telefones celulares, os engenheiros conseguiram praticamente eliminar o problema dos ruídos. Além de mensagens de voz, o protótipo também pode ser usado para enviar mensagens de textos.

Vapor de água no espaço pode se originar das estrelas


Agência Fapesp - 02/09/2010
Decoberto vapor de água ao redor da estrela CW Leonis
Quando o vapor de água foi descoberto, em 2001, ao redor da CW Leonis, os astrônomos acreditaram que ele se originaria de uma densa população de cometas. Essa hipótese agora foi descartada.[Imagem: Nasa]




Água de cometas
Astrônomos encontraram uma nova explicação para a presença de vapor de água ao redor de uma estrela gigante vermelha quase no final de sua vida.
O vapor de água, a uma temperatura de cerca de 700º C, foi detectado em 2001 ao redor da estrela CW Leonis, rica em carbono, algo até então inédito.
A melhor explicação então encontrada foi que a estrela deveria ser circundada por uma grande quantidade de cometas e asteroides, de onde se originaria a água - uma hipótese difícil de verificar para uma estrela que está a 650 anos-luz da Terra.
Água nas estrelas
Agora, um grupo de pesquisadores europeus decidiu estudar a mesma estrela usando imagens do telescópio espacial Herschel, lançado em maio de 2009 pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Eles identificaram dezenas de linhas de vapor de água no espectro eletromagnético da CW Leonis - também conhecida como IRC+10216 - uma gigante vermelha.
Embora tenha uma massa de apenas 8 a 9 vezes a massa do Sol, a estrela é centenas de vezes maior - se fosse colocada no lugar do Sol, a CW Leonis se estenderia até além da órbita de Marte.
Segundo os cientistas, algumas das linhas espectrais são produzidas por transições de estados altamente excitados que, ao serem analisados, indicaram temperaturas que variam entre -200º C e 800º C.
Isso significa que a água não deriva da vaporização de gelo de outros corpos celestes, como cometas, e que ela está se formando em regiões muito próximas da estrela, onde cometas não poderiam existir de forma estável.
Decoberto vapor de água ao redor da estrela CW Leonis
Os cientistas sugerem que uma explicação possível para a presença de vapor é a produção fotoquímica de água por meio da ação de fótons ultravioleta, provavelmente vindos do espaço interestelar. [Imagem: ESA]
Assim, o vapor de água deve estar presente no chamado envelope interno da estrela.
Os cientistas sugerem que uma explicação possível para a presença de vapor é a produção fotoquímica de água por meio da ação de fótons ultravioleta, caso o envelope da estrela tenha uma estrutura que permita a penetração da luz até as regiões mais próximas em seu entorno.
Esses fótons ultravioleta se originariam da própria estrela ou, mais provavelmente, do espaço interestelar.
Química estelar
A descoberta expõe o fato de que o conhecimento sobre a química das estrelas mais velhas "ainda é rudimentar", dizem os astrônomos.
A rigor, a presença de vapor de água em temperatura tão elevada ao redor de uma estrela altera o conhecimento atual sobre química estelar, uma vez que em um ambiente com muita presença de carbono, em equilíbrio termodinâmico, não se esperava que moléculas cheias de oxigênio (com exceção de monóxido de carbono) estivessem próximas.
A descoberta também contradiz a ideia de que vapor de água não poderia se originar dos entornos de uma estrela, mas apenas a partir de regiões mais frias e distantes.
Bibliografia:

Warm water vapour in the sooty outflow from a luminous carbon star
L. Decin, M. Agúndez, M. J. Barlow, F. Daniel, J. Cernicharo, R. Lombaert, E. De Beck, P. Royer, B. Vandenbussche, R. Wesson, E. T. Polehampton, J. A. D. L. Blommaert, W. De Meester, K. Exter, H. Feuchtgruber, W. K. Gear, H. L. Gomez, M. A. T. Groenewegen, M. Guélin, P. C. Hargrave, R. Huygen, P. Imhof, R. J. Ivison, C. Jean, C. Kahane, F. Kerschbaum, S. J. Leeks, T. Lim, M. Matsuura, G. Olofsson, T. Posch, S. Regibo, G. Savini, B. Sibthorpe, B. M. Swinyard, J. A. Yates, C. Waelkens
Nature
2 September 2010
Vol.: 467, 64-67
DOI: 10.1038/nature09344